O ideal, segundo os especialistas, é que as meninas vão ao consultório logo no início da puberdade, para que o médico acompanhe e seu desenvolvimento.
A primeira visita ao ginecologista
Quem tem filhas entrando na
puberdade, além da obrigação de se preparar para a revolução hormonal
pela qual as meninas passam nessa época da vida, invariavelmente se
deparam com esta dúvida: Qual o melhor momento para leva-las pela
primeira vez ao ginecologista?
A falta de diálogo, os tabus e o medo de que elas iniciem precocemente a
vida sexual levam muitos pais a adiarem ao máximo a primeira consulta,
uma decisão que pode ter conseqüências importantes, como o atraso no
tratamento de problemas de desenvolvimento, gravidez precoce e uma maior
exposição a doenças sexualmente transmissíveis.
Segundo ginecologistas que tratam crianças e adolescentes, o ideal é leva-las ao consultório logo no início da puberdade, quando começam a crescer os seios e os pêlos pubianos. Isto permite ao médico estabelecer um vínculo com o paciente desde cedo e acompanhar todo o desenvolvimento dela ao longo da adolescência e da vida adulta.
Para a ginecologista Dione Maria Ceschini Tanuri, além do cuidado da saúde das meninas é preciso também respeitar a vontade delas. Muitas garotas que entram na puberdade ou começam a menstruar passam a temer a idéia de ter a intimidade exposta, de ter o corpo inspecionado e apalpada’. Segundo a médica, para evitar que este constrangimento se transforme em medo do médico, é preciso muito diálogo por parte dos pais. É uma conversa que começa em casa, com explicações sobre as mudanças pelas quais vão passar, reforçando com isto a importância de conhecerem melhor seus corpos.
Meninas que têm este esclarecimento normalmente comparecem cedo á primeira consulta e já vem bem mais tranqüilas – diz a médica.
Garantir que a primeira consulta ao ginecologista seja livre de temores e desconfianças é fundamental para que a adolescente possa assimilar as informações que vai receber do médico. Para tanto, é preciso assegurar que ela confie no profissional que vai examiná-la. Muitas vezes, explica a ginecologista Nonnenmacher, isso implica levar a menina a um profissional que não seja o mesmo médico da mãe. Adolescentes são muito desconfiadas, e normalmente tem a fantasia de que o especialista vá contar detalhes de sua intimidade aos pais.
Da mesma forma, a vontade da menina deve ser respeitada quando o assunto é acompanhá-las ou não á primeira consulta. Bernardete diz que a maioria dos ginecologistas prefere que algum pai ou responsável esteja presente na entrevista inicial, sobretudo quando se trata de meninas com menos de treze anos, pois muitas perguntas feitas pelo médico sobre doenças na infância e problemas de saúde podem ser melhores respondidas por quem cuida da adolescente. Algumas meninas preferem que a mãe esteja presente o tempo todo pois se sentem mais seguras.Ainda assim, quando faço o exame físico, sempre pergunto a adolescente se ela quer que a mãe permaneça com ela – acrescenta a especialista.
Outra dúvida comum dos pais é em relação ao gênero do especialista que
vai atender a menina. O que é melhor: homem ou mulher? Qualquer um dos
dois, segundo a ginecologista Liliane Diefenthaeler Herter. É muito
comum que meninas na puberdade tenham vergonha de médicos homens. Por
outro lado, se tiverem uma relação de confiança com o pediatra que as
tratou até então, muitas não vêem problema algum em consultar com um
homem.
Como é a primeira vez
Entrevista
A paciente é pesada, medida e o médico faz perguntas sobre doenças que ela já teve, enfermidades na família, hábitos de vida (alimentação, sono, atividades físicas etc.), primeira menstruação e a regularidade dos ciclos menstruais.
Exame Físico
A paciente fica sem roupa,
coberta por um avental aberto na frente, e deitada em posição
ginecológica (com as pernas erguidas e separadas). O médico então a
avalia:
• As Mamas: apalpa o local á procura de
nódulos ou outras alterações
• O Abdômen: vê se o volume está normal e
detecta se há algum problema abdominal.
• A Vulva: observa o desenvolvimento dos
pêlos pubianos, dos pequenos e grandes lábios e detecta a presença de
alterações no local.
Se a pacienta já é sexualmente ativa
Além das inspeções das mamas,
abdômen e vulva, é feito o exame especular, para ver como estão a vagina
e o colo do útero e para realizar o Papanicolau, exame capaz de detectar
a presença de células malignas no colo do útero. O médico aplica
então corantes que detectam lesões e observa o local com um outro
aparelho chamado colposcópio. É feito para o recolhimento de material
para análise em laboratório e o especulo é retirado de dentro da vagina.
Depois disso o médico faz o exame de toque, que consiste em introduzir
os dedos indicador e médio no canal vaginal e fazer uma apalpação
abdominal simultânea com a outra mão, por cima do ventre. Esse exame
avalia a detecta problemas no útero, ovários e trompas.
Dicas para as meninas
Os medos
Antes da primeira consulta ao
ginecologista a maioria das meninas tem medo de:
• Que o exame seja dolorido
• Ficar nua na frente do médico
• Ser tocada ou apalpada pelo profissional
• Que o exame provoque o rompimento do
hímem
• Falar sobre sua intimidade com
especialista
• Que o médico vá contar aos pais se ela é
virgem ou não
• Que o ginecologista comente com os pais
as perguntas feitas por ela durante a conversa.
As dúvidas
Mesmo que ainda não tenha vida
sexual ativa, a maioria das adolescentes chega ao consultório querendo
saber:
• O tipo de hímem que têm
• Se o tamanho dos seios, dos grandes
lábios e dos pequenos lábios é normal.
• Se o crescimento dos pêlos pubianos e dos
seios está normal
• Se usar o absorvente interno pode
provocar o rompimento do hímem
• Por que têm fluxos tão intensos ou
cólicas tão fortes
• Como evitar gravidez
• Detalhes sobre doenças sexualmente
transmissíveis (DSTs), especialmente Aids
• A eficácia da camisinha como único método
contraceptivo
• Qual a pílula anticoncepcional não
provoca aumento de peso
• Como é o ato sexual
• Como é o orgasmo.
Fontes: Jornal Zero Hora -
Caderno Vida do dia 25/01/2003
ginecologistas Bernardete Nonnenmacher, Dione Maria Ceschini Tanuri e
Liliane Diefenthaeler Herter.